Quinta, 09 de Setembro de 2010

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Testemunhos

 


UM POÇO, chamado Misericórdia


NO DESERTO da cidade


"O que torna belo o deserto é que esconde, algures, um poço", escreveu Saint Exupéry

Padre há quase 14 anos, deus é para mim, naturalmente esse poço inesgotável que embelza a existência. Mas porque a vida tem, às vezes, o sabor árido do deserto, ela torna-se uma buca contínua dessa fonte de água viva. Pela oração, pelos sacramentos mas também pelas experiências e testemunhos, vamos saciando a sede de Deus.

Assim, meio desafiado, meio curisos, passei alguns dias na fraternidade João Paulo II da Aliança de Misericórdia, em Lisboa. Queria ver de mais perto o milagre da Misericórdia divina em rostos e corações humanos. Encontrei um grupo de jovens, todos mais novos que eu, estrangeiros como já fui em país estrageiro. Ainda hoje me pergunto como é que em tão poucos dias me senti irmçaos entre irmãos, partindo cheio de saudades. Afinal, a perfeição de vida dos primieiros cristãos (relatadas em Actos 2, 42) continua a ser verdade. Na Aliança percebi a união fraterna, alimentada pela fracção do pão e na oração.

Mas se Deus é quem nos une, também é Ele que nos envia outros irmãos, filhos predilectos do Reino, ovelhas perdidas no deserto da cidade. Com o olhar de Deus, não mais é possível o preconceito ou a distância: junto das prostitutas e dos sem abrigos, partilhávamos palavras de esperança e de comunhão; acolhendo os imigrantes ou gentes da terra, todos nos reconhecemos peregrinos em busca do mesmo poço.

Foram muitos os nomes e os rostos que deram cor à minha breve mas intensa experiência. Através dela, reconheci definitivamente a omnipresença da Misericórdia divina na minha vida. Como escreveu João Paulo II, na sua encíclica Dives in Misericordia, "a conversão a Deus consiste sempre na descoberta da sua misericórdia". É uma conversão feita de passos quotidianos, perseverantes e esperançosos, sedentos de fraternidade, justiça e amor.

Junto da Aliança de Misericórdia encontrei um lar sem portas, pois ela tem o tamanho do coração da Trindade. E, embora com sotaque brasileiro, o brilho dos olhos e os abraços têm a cor da mesma fome, a fome de um Deus que se dá sem medida, a todos e a cada um... através de todos e de cada um. Nesses dias, entedi melhor as palavras de Santa Teresa do Menino Jesus, quando disse que "amar é da tudo, e dar-se a si mesmo". A Misericórdia de Deus é a assim mesmo e desafia-nos a fazer o mesmo.

Agradeço a Deus o testemunhos fos meus irmãos brasileiros que, comigo, comprovaram a verdade do poço misericordioso que é Deus no meio dos nossos desertos.Quando voltar a ter sede, saberei onde ir beber...

Serafim, padre


Palavra do Mês de Junho/2010

Uma das jovens do TK-Manaus foi para a Vigília MMAE e chegou muito angustiada na vigília. A palavra do mês fez com que ela ficasse pensando muito na casa dela e na família, uma vez que falava sobre a mesa, sobre a partilha na casa, sobre a benção de Jesus.

Ela tinha acabado de brigar com sua mãe antes de ir à vigília e além disso sua família sofre um grande drama: seu pai já fazia muitos anos que tinha ido embora de casa, depois da partilha da Palavra, durante o momento de adoração, ela se viu em um túnel escuro e no fim uma luz forte que dizia para ela pedir perdão e para ela não desistir da caminhada, interiormente ela ressuscitou ao redor do altar onde vivíamos a adoração.

De manhã, ao chegar em casa, resolveu preparar um lindo café da manhã para sua família e assim, de forma concreta, logo viver a palavra do mês, e quando sua mãe e irmãos levantaram e chegaram na cozinha receberam uma injeção do Espírito Santo diante daquela mesa, ela logo aproveitou e pediu perdão para a mãe pela discussão da noite anterior e a mãe se emocionou bastante e contou para eles que o pai naquela madrugada tinha ligado, ela perguntou qual horário e foi justamente no horário em que ao redor da mesa vivia o lindo momento com Jesus. A família toda foi transfigurada ao redor da mesa.

A mesa da adoração, a mesa do café da manhã, um só altar onde pela partilha da vida Jesus se faz presente e abençoa as famílias. Que este testemunho motive todo o movimento a viver a Palavra neste mês, de uma forma ainda mais especial que os outros meses.

Cristiano Santana


Internet

Sou uma jovem, tenho 20 anos. Gostaria de dizer o quanto estou feliz com o site de vocês, estou passando por um momento de turbulências em minha vida pessoal, e esta semana, em especial, que estava precisando de socorro aqui em meu estágio consegui no site de vocês, todo momento em que me deu vontade de chorar, busquei alguma palavra de formação que me fortificasse, e estou bem melhor, claro que não 100% mas rumo a isso.

Faço Publicidade e Marketing no Mackenzie, e vendo a nível estratégico de evangelização, fico completamente apaixonada ao ver como o catolicismo juntamente com a renovação está conseguindo ampliar sua evangelização.
Obrigada


Casas de Acolhida

Meu nome é Jéssica, tenho 18 anos e moro com minhas irmãs Rafaela*, de 12 anos, e Camila*, de 9. Elas são minhas pedras preciosas!

Quando minha mãe se separou do meu pai, eu era recém nascida. Após a separação, fomos morar na casa de minha avó, que cuidava de mim enquanto minha mãe saía para as baladas. Em pouco tempo minha mãe se relacionou com vários homens. Nestes curtos relacionamentos nasceram minhas duas irmãs. Depois que o pai da Camila largou minha mãe, ela foi embora de casa e nos deixou com minha avó.

Comecei a frequentar a Igreja com dez anos, e minha avó achou que eu estava interessada no pastor. Neguei, mas mesmo assim ela começou a me maltratar e a me deixar de lado.

Um dos meus tios, que morava no mesmo quintal que nós, começou a falar e a fazer gestos obscenos para minha irmã Rafaela, que na época tinha seis anos. Ela contou para minha avó, que não acreditou.

Tempos depois, minha avó faleceu. Então, voltamos a morar com minha mãe e descobrimos que ela estava tendo um caso com uma mulher. Daí em diante, minha vida se tornou um inferno.

Comecei a frequentar baladas aos 14 anos. Nesse período, tornei-me muito rebelde, pois não suportava ver minha mãe bebendo todos os dias. Brigávamos muito e, para não ficar dentro de casa, arrumei um emprego e voltei a estudar. Quando voltava do serviço, encontrava a casa toda bagunçada, com pessoas se embebedando e minhas irmãs expostas àquela situação. Eu ficava muito triste e discutia com minha mãe pelo resto do dia. À noite, eu saia para me divertir, na tentativa de esquecer os problemas, mas no dia seguinte eles pareciam ainda maiores.

Minha mãe começou a ter dores de cabeça muito fortes. Levei-a ao médico, que sempre falava que era enxaqueca. As dores persistiram e, na maioria das vezes, tinha que levar minha mãe bêbada ao hospital. Ficou depressiva, e chegou a entrar em coma. Após muitos exames, os médicos descobriram que ela estava com câncer no cérebro.

Enquanto minha mãe se tratava, fomos morar com meus tios, na casa de minha falecida avó. Um deles voltou a fazer gestos obscenos para Rafaela. Quando ela me contou, percebi que seu corpo estava com bolhas, então levei-a ao hospital. O médico me disse que ela estava com herpes. Fui imediatamente à delegacia denunciar meu tio.

Após duas semanas, fomos intimadas pelo Conselho Tutelar a comparecer à  Vara da Infância e da Juventude, onde foi decidido que moraríamos em um abrigo para crianças e adolescentes. Choramos muito ao pensar que pudéssemos ser separadas, mas graças a Deus isso não aconteceu. Fomos encaminhadas para a Casa Naim* e, mesmo após o acolhimento, eles permitiram que eu fosse visitar minha mãe no hospital. Sou muito grata por isso.

Após um mês de permanência no abrigo, minha mãe faleceu. Foi muito difícil dizer às minhas irmãs o que tinha acontecido. Elas falavam que queriam a mãe, e eu não sabia como ajudá-las. Ficamos muito chocadas com tantas mudanças em nossas vidas.

Há  quatro meses, eu e minhas irmãs fomos acolhidas por um casal através, do Projeto Rahamin. Estou muito feliz! Eles nos oferecem o amor que tanto precisamos. Graças à oportunidade maravilhosa que a Aliança de Misericórdia nos deu, tivemos nossa família reconstruída. 

Jéssica Martins

*nome fictício
*Casa Naim: abrigo da Aliança de Misericórdia para crianças e adolescentes



Um rapaz tão cheio de vida, parte de repente!


Tínhamos dois filhos, um casado, pai de quatro meninas, e o outro, solteiro.

No ano passado, perdemos o solteiro, Marcelo. Ele foi baleado e faleceu horas depois, no hospital.

Até  então, jamais passara pela nossa cabeça essa tragédia ocorrer conosco. Como a maioria das pessoas, não estávamos muito preparados para a morte, pois normalmente acreditamos que os mais velhos sempre irão primeiro. No nosso caso, ocorreu o contrário. Um rapaz cheio de vida, saúde, nos deixa assim… tão de repente.

Foi na tarde de 11 de setembro de 2008. Estávamos, eu e minha esposa Eneida, atendendo nossos pacientes no consultório, quando chegou a notícia de que nosso filho estava sendo submetido a uma cirurgia, pois havia sido baleado na cabeça e sua vida corria sério risco.

No trajeto para o hospital, em meio a tanta aflição, oramos e, literalmente, entregamos nosso filho nas mãos de Deus. Ao chegarmos, apenas uma pessoa poderia visitá-lo na UTI e, assim, foi a Eneida ver nosso filho ainda vivo, pela última vez, já em coma profundo. Mesmo assim, ela sussurrou em seu ouvido o quanto ele era amado por nós e por Deus.

Já  no velório, a força de Deus, em sua infinita bondade, foi imensa dentro de nós. Temos certeza de que foi Jesus Misericordioso quem nos capacitou para entregarmos nosso filho de volta ao Pai. Temos na lembrança que, ao lado de seu corpo no caixão, com profunda paz interior, eu, Luiz, lancei o seguinte comentário: “Deus nos emprestou o Marcelo para que pudéssemos conviver com ele durante algum tempo. Agradecemos ao Senhor pelos 26 anos em que pudemos desfrutar de alegrias, tristezas, enfim, juntos, pudemos celebrar a vida. Agora, o Senhor decidiu que seria melhor recolhê-lo, e aceitamos isso, pois estamos devolvendo nosso filho, que apenas nos foi emprestado para que pudéssemos, neste período, cuidar dele. Agora o devolvemos. Queremos, hoje, celebrar a vida, não a morte. Morreu um soldado, mas a guerra continua, e se o inimigo de Deus pensa que esmoreceremos frente a isso, se enganou.”

Jesus nos deu uma missão, a de zelarmos pela vida e, para tal, nos confiou comunidades, pessoas, para que, através de nossa profissão de psicólogos, possamos, em Jesus, aliviar a dor do próximo. Fizemos esse voto a Deus. Assim, apenas podemos dizer: “eis-me aqui, Senhor! Portanto, celebremos a vida!”

Luiz e Eneida
Psicólogos/ Grupo Restaura-me




Evangelização:

Maria Madalena

Às vezes é muito difícil evangelizar, percebo isso quando ao abordar os travestis e garotas de programa, eles fingem que você não existe! Esta foi uma das noites que isso aconteceu.

Em uma rua próxima a Rua Augusta, paramos com duas garotas de programa, as cumprimentamos, demos os santinhos e o terço, mas depois disso elas nem estavam olhando para nós. Então perguntei ao Espírito Santo: “E agora? O que falar?” E me veio essa frase: “Quanto vocês me cobrariam para que eu ficasse uma hora falando do amor de Deus para vocês?”

De repente vi seus olhos atentos aos meus, falei do amor, aliás, quando estou com esses filhos e filhas de Deus a única coisa que me vêm à cabeça é o amor incondicional de Deus. Houve um silêncio, aquele silêncio em resposta a um amor que precisava ser correspondido.

Falei do amor preferencial de Deus por nós pecadores que nos ama como um Pai. Vi aqueles olhos atentos e que tentavam esconder as lágrimas. Foi maravilhoso! Saí de lá cheia de Deus. Acredito que Deus provou mais uma vez esse Seu amor sem medida por cada pecador desta terra.


Cristoteca

Minha história de encontro com Deus ocorreu de um modo que não esperava, ou melhor, nem sabia que era possível. Sempre soube do sacrifício de Jesus, freqüentei missas aos domingos e participei da Eucaristia, mas nunca soube que o amor e a misericórdia de Cristo poderiam mudar minha vida, me fazendo verdadeiramente feliz.

Durante meses uma amiga me convidou para a Cristoteca a fim de dançar e louvar a Deus. Enfim resolvi aceitar o convite por curiosidade, chegando lá fui para onde a Santíssimo estava exposto fiquei lá por horas, analisando tudo, mas Deus com certeza também me observava e com todo o amor já preparava o melhor momento da minha vida.

Uma filha amada me convidou para ajoelhar e orar por mim, e disse a frase que jamais esquecerei: “Receba o Espírito Santo!”, e eu repousei no Espírito. No repouso eu ouvia tudo e perguntava a Deus o que estava acontecendo comigo. Mas ao me levantar senti o maior Amor do mundo. Percebi ali que o sacrifício de Cristo foi por mim, que Ele se importa comigo e que ninguém me amará mais do que Ele. Conheci neste momento o Espírito Santo e o que Ele pode fazer em nossas vidas. Jamais pensei que o Espírito Santo pudesse entrar em mim, pelo contrário, sentia Deus bem distante.

Hoje pela graça de Deus, sou muito feliz. Mudei meus hábitos, sei que meu corpo é templo de Deus, não consigo mais usar decotes como antes, sei que devo buscar a santidade. Deus é real e Seu amor é o verdadeiro prazer da vida. Até meu modo ansioso de ser foi transformado.

Deus me levou a ler a Bíblia diariamente, me fez prestar atenção nas homilias, participar de encontros, vigílias, grupos de oração e, acima de tudo, colocou em minha alma um enorme desejo de servi-Lo, de Lhe ser obediente e proclamar Seu Amor e o Evangelho.

Eu antes só conhecia Deus de ouvir falar, mas hoje O conheço pessoalmente. Jesus é assim, rouba nosso coração e nos leva a viver o perfeito amor.

Agradeço a Aliança de Misericórdia, por esse instrumento de evangelização para Deus, pois foi através do trabalho da Cristoteca que conheci o caminho que leva ao Salvador.

Maria Elizabete Ap. Conceição


 
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